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sábado, 26 de junho de 2010

Duelo

Um das coisas mais cansativas e ao mesmo tempo uma das coisas mais belas que eu já fiz foi um duelo comigo mesmo. Lembra um pouco os duelos de antigamente, aqueles pela honra ou por amor. Você tinha que escolher as armas, o local e o momento, já que o inimigo vinha de graça. Hoje tenho que escolher quais partes de mim vão se arriscar, quais armas vão usar, e quem será o juiz, já que nenhuma das partes pretende perder definitivamente.

Normalmente escolho o duelo entre a lógica e o ímpeto, entre a razão e o instinto, entre o bom senso e o prazer. São duelos razoavelmente fáceis onde consigo influenciar não só os resultados como as conseqüências, como se eu tivesse um supra-eu vigiando minha sobrevivência acima das rinhas das minhas partes.

Mas o duelo que se aproxima é muito mais forte que o supra-eu, mais desconhecido e mais definitivo. Mas, deixa eu te contar desde o princípio.

Tenho sempre me preocupado em não ser um cara normal, em evoluir, alcançar níveis mais altos de se ser. Tenho feito isso usando um misto de inteligência e sensibilidade, coerência e racionalidade. Sei que são misturas algumas vezes estranhas, mas acho que até agora vinha dando certo. Não tenho caído em armadilhas nem em soluções alheias ou preconcebidas mas esse caminho é de isolamento e constante atenção, não há porto amigo onde se possa descansar sem perder o caminho já conquistado. E, durante a vida, tenho me cansado, tenho parado em portos e tenho retrocedido para depois ter que me esforçar ainda mais em avançar.

E talvez eu tenha chegado ao ponto de estagnação; tenho a sensação de caminho cumprido, linha de chegada cruzada mas sem a plenitude da vitória. Me resta repetir o caminho, como uma nova missão, tentando percorrê-lo melhor ou entender que ainda não cheguei e que há mais pela frente.

Preferindo a última opção, por se mostrar mais divertida e desafiadora, tenho mergulhado em pensamentos, leituras e conversas siderais e tenho me bombardeado com palavras, opiniões e dúvidas para entender para onde deve apontar a proa da minha nau.

E é aí que começa minha dificuldade. Todos os caminhos, todas as placas, todos os mapas me indicam um caminho por demais desconhecido, por demais sem volta, por demais acima de tudo que aprendi e usei até agora. Toda minha segurança até agora vinha de olhar para passos anteriores e ver uma coerência, um progresso; mas na verdade eu não olhava para frente.

Minhas leituras e pensamentos agora me apontam que devo sair da casca, abandonar tudo que me protegia, tudo que aprendi. E que daqui prá frente não existe mais aprender, só absorver e expandir. Se isso fosse apenas um desafio, seria como mergulhar num rio desconhecido, seguindo meus amigos que pularam na frente, depois é nadar até a outra margem e rir junto com eles dos medrosos que ficaram do outro lado. Precisaria apenas de coragem ou temeridade.

Mas eu no fundo sei que ao mergulhar não adiantará olhar para trás pois não farei mais parte daquela margem. Todas as sensações serão novas, todos os aprendizados inúteis.

E eis que se apresenta o duelo definitivo, entre meu medo do desconhecido e minha vontade (necessidade até) de evoluir, absorver, expandir. Já sei, você vai falar que se eu estou em dúvida é porque não estou preparado! pode até ser verdade, mas não resolve minha situação. O fato é que cheguei até a margem...

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